terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Corrupção e miséria no Brasil sob o PT

"Em que pese a antipatia congênita da nossa mandatária, capaz de provocar azia em caminhão-tanque de bicarbonato, suponhamos que ela realmente tivesse a intenção de fazer uma reunião de trabalho com seu 'ministério'. Supondo ainda, que ela fosse uma pessoa educada, que se dá ao trabalho de ouvir seus subordinados, diríamos que ela concedesse a cada um deles 10 minutos para, mesmo sucintamente, apresentar um diagnóstico e um plano de ação para enfrentar os problemas de sua pasta. Apenas esse intróito consumiria 6 horas e 30 minutos, sem pausa para o coffee-brake. É fácil concluir porque não temos educação, saúde e segurança pública decentes. É porque daqui a pouco não teremos mais água, nem luz elétrica. Tudo o que o Estado toca vira pó. Muito governo=muito gasto=corrupção=miséria. Para aqueles que discordam, fica meu desafio: aponte-me algo que funcione bem no setor público. Pode pensar sem pressa. Você tem até 2018 para responder!"  Adriano Neves de Almeida, médico de Belo Horizonte, em mensagem postada no Facebook em 28 de Janeiro de 2015.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Licença para matar

Em uma entrevista ao jornal suíço ‘Der kleine Bund’ dessa semana [*], o psicoanalista suíço Peter Passett esclareceu a natureza dos atos de violência como os ocorridos recentemente em Paris na sede do semanário ‘Charlie Hebdo’. 

Passett explica que a violência é uma parte importante de toda cultura que reprime os instintos violentos. Todo ser humano tem uma predisposição à violência. A prática da violência tem um aspecto lúdico e ao mesmo tempo existe uma inibição dessa prática. O tabu da matança entre os membros da mesma espécie existe em todo o mundo animal. 

No mundo da cultura, esse tabu é reforçado por normas que proíbem o homicídio. Mas, as mesmas instituições que ditam as normas também criam as exceções. 

As religiões são as principais fornecedoras das racionalizações que explicam porque em certos casos pode-se celebrar o homicídio e a violência. O Cristianismo não é diferente do Islam e de outras religiões.  Na Bíblia está escrito algo como: ‘eu não vim para lhes trazer a paz, senão a espada’. Este também é um aspecto do Cristianismo. 

As pessoas nas quais falta o efeito da repressão da violência e que encenam e celebram a violência, quase sempre apelam para alguma desculpa. As justificativas para seus atos são fornecidas pelas religiões e as ideologias políticas. Elas são racionalizações através das quais as pessoas buscam libertar-se da repressão e assim também da responsabilidade. Não importa se isso acontece em nome de uma religião ou de uma ideologia política. 

A matança de Paris não tem nada a ver com o Islam. Nos livros de todas as religiões existem passagens onde se incita à violência. Os cristãos justificaram as cruzadas com o Novo Testamento. Só no Budismo encontra-se um texto menos explícito com relação à prática da violência. Todas as religiões fornecem desculpas para legitimar as atividades violentas. Nas chamadas culturas cristãs, a religião perdeu esse significado central e cedeu lugar para as ideologias extremistas de ‘direita’ e ‘esquerda’. No final de contas, as ideologias servem ao mesmo propósito. A violência deve ser justificada, e como isso não pode acontecer a partir de dentro dos indivíduos, procura-se uma instância externa que permita isso. 

Passett não acredita que os matadores dos editores do ‘Charlie Hebdo’ tenham se sentido desrespeitados pelos caricaturistas. Os que realmente se sentem existencialmente feridos não atacam ou matam. Eles sofrem calados. Os autores da chacina não devem ser chamados de ‘lutadores’, senão de ‘criminosos’, e como tal não são melhores que qualquer outro criminoso. Ao se trazer o fundo religioso para a tona e entender isso como motivo, só se enobrece esses criminosos. 

A melhor receita contra a violência é o pensamento racional, mas até esse pensamento é relativamente fraco quando comparado às emoções.  O pensamento racional deixa-se facilmente apossar. O problema da elucidação é que ela quer trazer as pessoas à razão, mas essas sempre fazem mau-uso da elucidação para justificar suas paixões. O fino verniz de civilização pode quebrar a qualquer momento. De lá onde se ouve o grito de triunfo da razão e da tolerância o oposto não está longe. Todas as pessoas têm um profundo conhecimento do que é bom ou mau. O famoso experimento de Milgram mostrou que essa capacidade pode ser facilmente mutilada. Quando pessoas normais recebem a autorização para matar seus semelhantes, elas obedecem prontamente. 

A violência, mesmo quando facilitada a partir de uma fonte externa, vem mesmo de dentro da própria pessoa. Por isso é que as pessoas precisam domesticar a si próprias e a sua prontidão à violência. Isso é tarefa da cultura. 

Sempre existe uma oportunidade para praticar a violência. Quando europeus viajam para a Síria para se juntar ao chamado EI, isso não é outra coisa que uma oferta para a violência: aqui você pode ser um verdadeiro lutador, aqui tudo é permitido. Esse comportamento é legitimado por pseudo-explicações e interpretações baratas do mundo. A Legião Estrangeira também foi, em parte, uma instituição desse tipo, uma que dava licença para matar. 

Hoje o chamado ao Islam é usurpado como um lubrificante para a agressão. Mas, mesmo esses assassinos sabem que cometem atos indecentes e por isso precisam gritar: ‘Nós vingamos o profeta’. 

No final de contas, o que fica é a responsabilidade que ninguém pode tirar de outrem – nem a religião, nem a ideologia. Sempre fica algo de muito pessoal, se o indivíduo arca com suas responsabilidades ou não, e se ele está pronto ou não a se perguntar, em cada situação: eu devo? eu quero? eu posso? Aqui a educação desempenha um papel muito importante. Em vez de educar as crianças para obedecer, elas devem ser sempre orientadas que elas próprias devem fazer suas escolhas e arcar com as responsabilidades. Com isso não se conseguirá reprimir o instinto da violência. Trata-se simplesmente de civilizá-lo tanto quanto possível.
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[*] Gewalt hat etwas Lustvolles. Der Kleine Bund. Mittwoch, 14. Januar 2015.

To be or not to be, Charlie

Por P.M. Serrano Neves, postado no Facebook em 12.01.2015

Os franceses que tanto contribuiram para a teoria do ''abuso de direito'' surpreendem-me com uma hipótese híbrida de liberdade de expressão com liberdade de imprensa que sustentam não ter limites.
Meu raciocínio cartesiano prejudica que possa compreender tal construção, à vista de que o Universo e a Natureza não apresentam nenhum caso de liberdade cujo exercício não esteja sujeito ao preço da temeridade quando limites são ultrapassados.

O satélite ...que pousou em um cometa - evento recente - obedeceu estritamente a todos os limites impostos pela regência cósmica.

Primeiro é preciso perceber que a immprensa é tão mais livre quanto mais tenha dinheiro para colocar sua mídia em circulação e tão menos livre quanto tal dinheiro carregue uma ideologia. Estes são os limites funcionais.

Segundo, é preciso perceber que expressão é o ato de dar a conhecer alguma coisa por orientação de alguma vontade.

Terceiro, é preciso concluir sobre a conformidade da coisa com a vontade e com a expressão.

Quarto, é preciso não se render à ''impressão que isto me causa'', o que é mais comum do que se imagina, dada a variação do corpo de conhecimentos e a diversidade das constantes de deformação da percepção.

E para justificativa do que pensamos e fazemos invocamos a liberdade de pensamento e expressão, e as contrariedades e contradições ficam por conta do ''somos humanos''. Este é ponto: somos humanos, tão humanos quanto os conturbados cenários que conseguimos produzir por todos os cantos do Planeta. Ainda não sabemos como ser melhores do que somos e, a cada dia, lenta e gradualmente, ir reconhecendo que as liberdades e direitos que reivindicamos exercitar são comuns de todos e que o direito de um acaba onde começa o direito de outro. Ainda não cremos que a diminuição do mal em um grau apenas constitua um abrandamento sensível do calor gerado pelo atrito nas relações humanas. E se ainda não sabemos nem cremos é porque não podemos, com o conhecimento atual, resolver as complexas equações do relacionamento humano.

O satélite pousou no cometa mas continuamos tão estúpidos quanto o deslumbramento com os feitos da inteligência nos cega em relação à existência de um humano próximo igual a cada um de nós mesmos, e tantos humanos próximos quantos devam existir para que a compreensão da existência da humanidade como uma entidade seja alcançado.

Je suis que nous sommes tous.

Ubuntu.

domingo, 30 de novembro de 2014

Gasto brasileiro com ciência é muito pouco eficiente, diz Nature

Financial efficiency - Dividing a country's weighted fractional count (WFC) by its gross domestic expenditure on research and development (GERD, per US$100,000, by purchasing power parity) gives a measure of its financial efficiency. So the larger the square, the higher the Nature Index output (as measured by WFC) per dollar invested. (Only countries with a WFC>10 and GERD data from 2008 or later are included. Source: United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO).)











Ref.: Global overview. Nature 515, S56–S57 doi:10.1038/515S56a

Leia também:
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2014/11/1549183-gasto-brasileiro-com-ciencia-e-muito-pouco-eficiente-diz-nature.shtml

domingo, 9 de novembro de 2014

Estamos acabando com o país

Gustavo Ioschpe


Reunião de pais e mestres: é nela que temos de exigir uma escola sem
doutrinação marxista para nossos filhos (Gilberto Tadday/VEJA)

Há algumas semanas, dei uma palestra em um evento sobre educação, organizado por uma grande empresa e sediado em uma escola. Havia muitos educadores e alunos na plateia. Compartilhei alguns dos dados preocupantes sobre o fracasso do nosso sistema educacional. Expus minha oposição ao plano — agora consagrado em lei — de investirmos 10% do PIB em educação, notando que o único país que investe nesses patamares é Cuba. (Não porque aprecie sobremodo a educação, mas porque não tem PIB: qualquer meia dúzia de vinténs já dá 10% do PIB cubano...)
Depois da minha fala, vieram as perguntas do público. Sempre que há professores na plateia, estas perguntas se repetem: não é muito simplista/reducionista/alienado falar apenas em qualidade do ensino através do domínio dos conhecimentos de linguagem, matemática e ciências medidos por meio de exames como a Prova Brasil, o Enem e o Pisa? A função da educação não vai muito além disso? Não seria formar o cidadão crítico e consciente, engajado na construção de um país mais justo? Respondi o que sempre respondo nesses casos: a educação brasileira está tão mal — incapaz até mesmo de alfabetizar seus alunos ou ensinar-lhes as operações matemáticas básicas — que podemos gerar um consenso abarcando desde os stalinistas do PSTU até o neoliberal mais empedernido. Quer você deseje gerar o próximo Che Guevara, quer um operário preparado apenas para trabalhar numa linha de montagem, ambos precisam ser alfabetizados e dominar as operações matemáticas básicas. Então vamos primeiro focar a criação de um sistema educacional que garanta a 100% de seus alunos o direito de aprender pelo menos essas competências básicas, e deixemos as discussões ideológicas para outras áreas e outros momentos. Para mim, isso tudo é de uma obviedade mais do que ululante.
Qual não foi a minha surpresa quando, ao terminar, fui interpelado por uma meia dúzia de adolescentes, na faixa dos 15 anos, alunos daquela escola, dizendo-se indignados com meu desprezo por milênios de linguagem oral, meu menosprezo pelos analfabetos (“Então o senhor acha que é preciso ler para ter conhecimento?!”) e minhas críticas ao “grande” modelo cubano. Sim, sim, tem bastante gente ainda pensando assim em 2014, não estou brincando! Caiu o Muro de Berlim, e eles ainda estão sonhando em descer a Sierra Maestra. Você deve estar pensando que essa escola era da rede pública de alguma biboca do nosso interior profundo, administrada por uma prefeitura de partido socialista, certo? Pois é, eis a minha surpresa: essa escola, senhores e senhoras, está no Rio de Janeiro, na divisa entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá, e — esta é a melhor parte — pertence ao Sesc. Sim, o Serviço Social do Comércio, mantido pelos empresários e funcionários das áreas de comércio e serviço através de impostos cobrados na folha salarial. Longe de ser exceção, essa dinâmica é a regra: escolas e universidades de entidades privadas, algumas inclusive com fins lucrativos, estão entupindo o cérebro de seus alunos com a mais rasteira e ignóbil doutrinação política marxista. Depois, quando esses alunos se tornam adultos e passam a comandar o país, os donos e diretores dessas escolas e universidades passam anos a fio reclamando (com razão) do intervencionismo estatal e do viés antiempresarial dos líderes... que eles mesmos formaram!
Não acredito que esse tiro no pé seja intencional. É só miopia ou visão de curto prazo. Nas universidades, as áreas de pedagogia e licenciaturas são muito desprestigiadas, e acabam se tornando incompetentes. Formam maus professores, mas ninguém se importa, porque, como muito poucos prefeitos ou governadores são cobrados pela qualidade do ensino que oferecem, mesmo o mau professor não terá muita dificuldade de se encaixar no mercado, desde que tenha o diploma. Como os cursos não precisam ter qualidade, o jeito de reter aquele aluno é dizendo-lhe o que ele gosta de ouvir. De preferência, algo fácil de entender. Como esse é um público muito idealista, que já vem doutrinado do ensino médio, e como os pedagogos responsáveis por esses cursos também estão, na maioria dos casos, imbuídos de um sentido de missão revolucionária, o que você acha que esses cursos fazem? Trilham o caminho difícil de transmitir o domínio da didática e da matéria a ser ensinada ou optam por falar do papel revolucionário do professor, da missão grandiloquente da formação do cidadão crítico etc.? Sim, eles optam pelo caminho do ensino raso recheado por profundo doutrinamento. E assim se formam os professores que formarão as futuras gerações.
Lendo estas linhas você deve estar com um misto de compaixão e desprezo pelos proprietários de nossas universidades, investindo hoje na criação do seu opositor de amanhã. Mas eles não são os maiores culpados pela situação que vivemos. Sabe quem é? Você. Sim, você, que tem recursos para ler esta revista e, provavelmente, para pôr seu filho em uma escola particular. Você que faz parte da elite financeira e intelectual do país, que representa a sua liderança. Pois eu pergunto a você: qual foi a última vez que leu um livro didático de história ou geografia adotado pela escola do seu filho? Se você for como a maioria dos pais, deve fazer muito tempo. Você sabe que seus filhos estão ouvindo nas escolas diatribes contra o capitalismo e a burguesia brasileira (leia-se: você) e elogios ao modelo cubano e outros lixos socialistas? Provavelmente não sabia. É provável que só esteja preocupado com que seu filho entre em uma boa universidade, preferencialmente pública, em que o doutrinamento rastaquera praticado na escola será substituído por uma panfletagem esquerdista travestida de intelectualidade. Ou talvez até saiba o que está se passando mas não tenha vontade suficiente para debater com os professores e diretores, mantidos pela sua mensalidade, o lixo mental que seu filho recebe diariamente. Você que se preocupa com a saúde física do seu filho a ponto de obrigá-lo a comer arroz integral e tomar suco verde não dispõe da mesma energia e entusiasmo para fazer com que seu cérebro seja preservado dos detritos descarregados diariamente pela escola que você financia.
Talvez acredite que não importa o que seu filho ouve na escola: você corrige os desvios de caminho em casa. E pode ser até que tenha razão. Mas os 83% de alunos que estudam em escolas públicas têm pais cujo nível de instrução é muitas vezes insuficiente até para ajudar na alfabetização do filho. Certamente não conseguirão fazer o mesmo nem saberão que seu filho está sendo vitimado pela historiografia marxista, ou mesmo que há outras historiografias possíveis.
O resultado das últimas eleições mostra que não é possível construir um país nos três meses que antecedem a votação. Mostra que, sim, é ótimo que a nossa elite ganhe muito dinheiro, progrida e tenha condições de passar um tempo em Miami, Paris ou onde bem lhe aprouver, mas que só isso não basta: precisamos de uma elite empenhada em alterar a realidade do país, não em fugir dela. O Brasil está criando pessoas que desconfiam da democracia, dos valores republicanos, de sua própria capacidade empreendedora. Se as lideranças do país continuarem se abstendo da discussão que mais importa — a de valores, de identidade, de aspirações nacionais —, continuaremos colhendo atraso e frustração. Não se constrói um país desenvolvido sem elites. Esse debate é indelegável.
Já passou da hora de termos uma escola apolítica, sem doutrinação, que consiga fazer com que nossos alunos pensem e tenham os instrumentos para pôr de pé seus sonhos de vida. Não podemos nos furtar desse debate nem adiá-lo. Ele começa hoje, na sua sala de jantar, na escola de seus filhos. Aproveite essa liberdade enquanto a temos.